Postagens

Mostrando postagens com o rótulo morte

O tempo e a dor

Imagem
 Há um mês a vida como a conhecia via a luz do dia pela última vez. Desde então o sol ficou diferente e o tempo se tornou um estranho. Estranha, na verdade, sou eu, que não consigo me decidir se quero que ele pare ou corra. Bom, eis aí uma discussão que não poderia ser mais inútil, porque o tempo não está nem aí para o que quero ou deixo de querer. No filme Collateral Beauty, com Wil Smith, em uma das conversas com o Tempo, esse diz: "o tempo é um presente". De fato, o tempo é um presente. Tanto é um presente no sentido de dádiva como no próprio sentido de tempo. A única parte tangível do tempo é o presente, que é um presente. Minha mãe foi agraciada com tempo. Ela pediu a Deus para me ver fazer 15 anos, e me viu fazer 51. Engraçadinho, Deus... apenas trocou as velinhas de lugar. Pediu para não morrer em Londres e viveu mais 9 meses para gerar vida em todos nós. Houve tempo para tudo. Houve tempo para nada. Quantas vezes ela veio fazer nada em minha casa enquanto eu trabalhav...

Ângela, Clarice, Alice e o Caminhão de Mudanças

Imagem
          2024 começou com mortes: Angela, Clarice e Alice. Graças a Deus, até o momento nenhuma Amanda.     Alice tinha 10 anos; Clarice era um bebê com 9 semanas de gestação.            E Angela... essa era uma gigante de 89 anos.              Várias faces do luto. Um, o curso natural da vida; outro, uma tragédia; o terceiro, a dolorosíssima seleção natural que nos faz duvidar do amor de Deus.            Tudo isso me traz à lembrança o caminhão de mudanças. Aquele que guiei para fora de um lar destruído em direção a um novo começo. Aquele que apareceu como carro funerário em meu retrovisor quando vi que carregava os restos mortais de sonhos brutalmente assassinados. Os sonhos de uma linda jovem, cheia de vida, traída pelo que pensava ser amor.            Já o carro funerário de Ângela não levava...