O tempo e a dor
Há um mês a vida como a conhecia via a luz do dia pela última vez. Desde então o sol ficou diferente e o tempo se tornou um estranho. Estranha, na verdade, sou eu, que não consigo me decidir se quero que ele pare ou corra. Bom, eis aí uma discussão que não poderia ser mais inútil, porque o tempo não está nem aí para o que quero ou deixo de querer. No filme Collateral Beauty, com Wil Smith, em uma das conversas com o Tempo, esse diz: "o tempo é um presente". De fato, o tempo é um presente. Tanto é um presente no sentido de dádiva como no próprio sentido de tempo. A única parte tangível do tempo é o presente, que é um presente. Minha mãe foi agraciada com tempo. Ela pediu a Deus para me ver fazer 15 anos, e me viu fazer 51. Engraçadinho, Deus... apenas trocou as velinhas de lugar. Pediu para não morrer em Londres e viveu mais 9 meses para gerar vida em todos nós. Houve tempo para tudo. Houve tempo para nada. Quantas vezes ela veio fazer nada em minha casa enquanto eu trabalhav...