O que você faria?

 



Preciso começar esse texto dizendo o seguinte: creio firmemente na Bíblia como a palavra de Deus, e que ela me dá o panorama completo da existência humana. Tenho direito de discordar do que leio, mas no fim a razão é sempre Dele, e cabe a mim respeitar, obedecer e buscar o conhecimento e a compreensão, pois tenho perfeita consciência de que o Deus da Bíblia não cabe na caixinha de fósforos que é o meu cérebro. 

Em segundo lugar, minha visão de mundo é muito limitada; só conheço, de fato, duas coisas: o passado que presenciei e o meu próprio presente, aquilo que meus olhos vêem acontecer. O que não presenciei já chega até mim pelas lentes de um outro alguém, e o futuro não é nada além de uma grande incógnita. A não ser que você leia a Bíblia. Para mim, é a fonte segura que me conta o passado, confirma meu presente e me mostra o futuro. São as lentes nas quais confio para ver a verdade, e até hoje ela nunca falhou.

Quero também deixar bem claro que minhas posturas diante das questões morais e éticas que tem tornado o mundo um grande campo de batalhas não são fundamentadas em crenças políticas ou ideológicas, mas na minha fé. Não tenho partido político, não vejo a "política" como a solução dos problemas que assolam a todos, e não penso que Deus "mexa os pauzinhos" Dele nas questões políticas da maneira que muitos imaginam. Até porque a democracia é o governo do povo, não de Deus, e Ele é muito educado, não entra onde não é chamado. O resultado da democracia é um governo que espelha seu povo. Não adianta agora, depois de séculos de omissão com relação à educação ética, moral, cívica e espiritual das crianças achar que a Nação vai se consertar num passe de mágica, que Deus vai mudar milagrosamente as escolhas feitas por um país ao longo dos séculos. Penso que isso só teria chance de acontecer se voltássemos à Teocracia. Imagine a confusão...

Não acredito que haja opção melhor do que a democracia, essa é apenas uma reflexão conformada de quem entende que levaremos gerações para consertar as coisas, e isso se conseguirmos provocar uma profunda mudança social. A única esperança para o Brasil é cuidar direito das próximas gerações, intencionalmente e sem leviandade.

Depois dessa introdução que é quase um livro, chego ao motivo desse texto: a guerra Hamas x Israel. Quero, preciso falar disso, e o farei a partir de duas perspectivas: como cristã e como humana. 

A primeira, como cristã; a raiz dessa guerra, inclusive, está na Bíblia, num certo desentendimento entre irmãos que se estende por milênios.

Se você acredita na Bíblia, a sua opinião sobre Israel tem que partir do fato de que é o povo que Deus escolheu para si e a quem fez promessas. Um passeio em Israel é um passeio pela Bíblia. Deus disse que o deserto floresceria, e floresce mesmo. Até banana nasce lá. Ele ama esse povo, e se Ele ama, eu também amo.

Um amigo me perguntou por que eles, e fiquei pensando longamente o que responder. A minha resposta? Primeiro porque Deus escolhe quem Ele quer, e durma-se com um barulho desses. Mas acredito que também porque eles são um ótimo retrato de todos nós. Passaram 40 anos vagando no deserto, vivendo milagres e maravilhas, mas sempre reclamando. Chegaram à terra que Deus havia preparado para eles, se estabeleceram, prosperaram e acabaram esquecendo do próprio Deus que os levara até lá. A Bíblia é cheia de gente de gente igual a toda gente. Eu torcia o nariz e achava aquele povo muito burro, até o dia em que me percebi igualzinha: reclamona e infiel a Deus. Israel é o retrato da humanidade. 

Ele estabeleceu esse povo como relógio da humanidade, quer a gente queira, quer não. Nós cristãos cremos na segunda volta de Cristo para buscar os que são Dele, a redenção final. Os fatos que antecedem esse retorno giram todos em torno de Israel. Nós cristãos recebemos a ordem de orar pela paz em Jerusalém. O fato de eu gostar ou não de Israel não faz diferença. É o que é, e eu que lide com isso (graças a Deus, sou apaixonada por Israel...)

A segunda frente abordarei como a simples humana que sou: mãe, filha, nora, neta, esposa e etc.

Ando atordoada com o que vejo e impressionada em ver como as narrativas vão sendo construídas e acabam amortecendo o pensamento de uma multidão. Volto a reforçar que não estou falando de política, mas preciso usar esse exemplo: como é que os manifestantes do 8 de janeiro podem ter sido chamados de terroristas e gerado tamanha revolta, enquanto o Hamas não? Como concordar com a prisão de gente que não atirou, não matou, não estuprou, não degolou nem desmembrou ninguém e pensar que a reação de Israel foi desmedida? Ah, mas a prisão dos terroristas do 8 de janeiro não causou a morte de nenhum civil... Tem certeza? E as famílias, como ficaram? Quantos perderam emprego e dignidade? Um preso morreu na cadeia, será que seu crime merecia tal punição para ele e para os seus queridos? Já pensou nos filhos e netos dos presos chegando na escola? Se eles só tiveram o que mereciam, e suas famílias estão lidando com as consequências, então o que deveria acontecer com os membros do Hamas e suas famílias? 

Lá no início falei que tudo que não presenciamos chega a nós pelas lentes de alguém, e eu não presenciei os fatos, mas não sai da minha mente aquele senhor que sobreviveu ao Holocausto e foi morto torturado pelo Hamas. Que coisa abominável! Não consigo esquecer também a família da senhora que foi assassinada por membros do Hamas que usaram o celular dela mesma para filmar e postar em suas redes sociais. Chegou a notificação de que ela havia feito uma publicação e todos assistiram a avó ser torturada e morta! 

E o bebê que está fazendo 1 ano dentro de um túnel escuro? Por quê? Porque nasceu judeu? Se fosse uma vingança, ou um ato de resistência, que ato sofrido justificaria tudo isso? 

Eu, ocidental, não consigo imaginar as sequelas geracionais do Holocausto, nem o que é viver sem um país aliado ao seu redor ou ser acusado de genocida enquanto atende aqueles a quem pretensamente estaria "genocidando" (acabei de criar esse termo) em seus hospitais. Falam tanto da opressão de Israel, mas não se tem notícia de ataques terroristas israelenses, nem sequestrados mantidos em cativeiro sob tortura física e mental. Nunca ouvimos falar de terroristas israelenses invadindo festas e casas para estraçalhar tudo e todos ao seu alcance, nem exibindo mulheres com as calças manchadas de sangue ou desmaiadas e seminuas em caçambas de caminhonetes. 

O que me assusta é que nada disso parece nos acordar, tirar desse transe coletivo que nos deixa em frente às telas completamente anestesiados e absorvendo seja qual seja a narrativa criada por quem mostra as imagens. Seguimos nossas vidas normalmente enquanto o novo holocausto bate às portas de uma nação, e não apenas em sua própria terra. Você é contra o racismo? O que acontece com os judeus, apesar do belo nome de antissemitismo, nada mais é do que racismo. E é um racismo letal. 

O que você faria no lugar dos judeus diante da barbárie? Hoje de manhã estava me lembrando de uma coisa que aconteceu há alguns anos, no Rio de Janeiro. Toda a família estava de férias, batendo papo e dando risadas por conta de uma Piña Colada de 30 reais. Em certo momento, um homem bêbado se aproximou de nós e começou a falar... coisas de bêbado. Nada demais, era até um bêbado calmo. Mas ele começou a se dirigir à minha mãe, e quando ele fez isso, meu irmão, a pessoa mais pacífica do planeta Terra, perdeu as estribeiras, levantou bravo e literalmente enxotou o homem. Ficou realmente nervoso com o cara, e veja que ali nem houve um ato real de violência, ou um risco iminente de qualquer coisa, mas o instinto de filho pulou na hora, e tem que pular mesmo!

O que podemos esperar, então, dos pais das meninas estupradas e mortas na rave, cujos corpos ficaram jogados no deserto? Os pais dos jovens que saíram para um show e há mais de 100 dias estão sequestrados por terroristas? E os dos bebês degolados? E dos filhos e netos dos idosos desmembrados? 

Você viu tudo isso? Absorveu tudo isso? Ou fechou os olhos e passou direto? 

Qual será a sensação de viver sabendo que muitos tem como missão exterminar seu povo? Não sei, sou brasileira, todo mundo gosta de mim! Qual será a sensação de ver milhares de pessoas nas ruas se manifestando a favor dos terroristas que desejam o seu extermínio?

Eu gostaria de estar exagerando, mas é só você pesquisar um pouco e ver quanta gente se manifestando pelo extermínio de um povo! Não pelo fim de uma guerra, mas pelo fim de um povo! É completamente insano o que um jogo de palavras e uma narrativa bem bolada é capaz de fazer com a população mundial. 

Grande parte das pessoas já nem lembra do 7 de Outubro de 2023. Grande parte das pessoas também já se esqueceu do Holocausto, assim como comprou essa história de que Israel oprime a Palestina, sem conseguir - ou sequer tentar - compreender que quem oprime os Palestinos é seu próprio governo.

Por fim, tudo isso apenas sacramentou em meu coração o que eu já sabia por experiências reais: os Direitos Humanos não interessam minimamente à imensa maioria dos que dizem defendê-los. Israel, em um dia, sofreu as mais atrozes e brutais violações a esses direitos fundamentais. Suas mulheres e crianças foram alvo de ações cuja simples menção nos arrepia, e o que se ouve?  Ou um silêncio ensurdecedor ou acusações contra Israel. Gostaria de provocar nominalmente muitas instituições, mas não o farei. Fique à vontade para escolher o nome da instituição que quiser, porque praticamente nenhuma delas foi fiel aos seus ditos princípios, e digo praticamente nenhuma por medo de ter deixado de ver alguma coisa que me contradiga, não porque de fato vi. O máximo que vi foi um pouco de defesa, sempre seguido de um "mas Israel..." e a defesa mudava de lado.

A mesma ONU que foi fundamental para a criação do Estado de Israel agora é palco das mais absurdas falas contra os judeus. A Cruz Vermelha até o momento prestou auxílio ao total de ZERO reféns. É uma vergonha generalizada. 

Eu poderia emendar aqui uma fala sobre os Direitos Humanos no Brasil, jogados todos os dias na lata do lixo enquanto perdemos jovens e crianças para a violência, a pobreza e o crime, mas aí viraria um livro mesmo. Pensando bem, talvez o silêncio ensurdecedor sobre Israel seja para não nos despertar do sono coletivo que estamos dormindo. E se todos acordássemos? Quem sairia perdendo? Quantas vidas seriam salvas?

Quero terminar lançando um ponto para reflexão: será que, em alguma medida, todo esse levante contra Israel é porque eles, sim, vivem os Direitos Humanos? Ao contrário da narrativa reinante, em Israel há total liberdade religiosa, uma cultura plural, diversidade, segurança, educação, um senso incomum de família e comunidade, e vontade de negociar e chegar a acordos com seus inimigos. É o melhor lugar para se pertencer aos grupos que lutam por seus direitos: os negros são respeitados, o pessoal LGBT é respeitado, as mulheres são muito respeitadas. 

Eu, sinceramente, invejo os israelenses; não pelo que aconteceu, é óbvio, mas por esse verdadeiro respeito aos Direitos Humanos e mais ainda porque o governo não vai deixar para lá, não vai esquecer filhos, pais e bebês e continuar a vida. Eles vão até o final. E a verdade, é que eu queria ter um governo que cuidasse de mim e valorizasse minha vida dessa maneira. A Nação de Israel é, na verdade, um tapa na cara dos falsos defensores dos Direitos Humanos.

Talvez seja mais fácil defender o Hamas, assim não se lança luz sobre a verdade dos Direitos Humanos e suas prestigiosas organizações não governamentais. Não é preciso ter argumentos fortes, ninguém checa se Hamas compartilha fake news, é só ir com a multidão e continuar fingindo que é, sim, pelos Direitos Humanos. Até que o Hamas mostre sua verdadeira face e comece a exterminar a população LGBT, tomar as mulheres para si, recrutar nossos filhos para soldados terroristas... Aí, sim, os Direitos Humanos serão apenas uma vaga lembrança. Escolha com muito cuidado e sabedoria seu lado nessa guerra, porque não tem nem muro mais para ficar em cima.

Não podemos nos esquecer: nem sequer um civil palestino teria morrido pelos ataques de Israel se o 7 de Outubro tivesse sido um dia normal, se a festa tivesse seguido e as crianças tivessem brincado inocentemente em seus quintais ao invés de serem vítimas da mais brutal carnificina.






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